terça-feira, 11 de outubro de 2011

Texto literário sobre o tema (Se beber não case)

O Copo
Entre um gole e outro do copo amarelo
Ele levanta os olhos marejados e embaçados 
Parece procurar algo... algo que não está mais lá
Sua mente distante rodopia em velocidade frenética
Voando e dando saltos explosivos 
Um misto embolado de euforia e repúdio 
Que hora corta sua carne 
Hora enaltece sua esperança 
Ele mesmo censura firmemente a auto-censura 
Para logo depois pedir mais uma dose 
Ele quer esquecer... 
Esquecer que tem sempre algo para lembrar 
E que a lembrança é quase sempre perigosa 
Pensamentos cortantes como facas 
Promessas esperançosas de um ontem perdido 
Dissolvido na realidade ácida do presente 
Um grito: NÃO! 
Ele não quer mais saber seu nome 
Seu endereço, seu destino... 
Diz que agora a vida vai fazer mais sentido assim... 
Como um “clip” filmado por um câmera bêbado 
Como uma história inacabada de um autor lunático 
Como trechos de uma partitura voando ao vento... 
O mundo é seu... é seu o mundo... 
Sentindo a potência de seus pensamentos 
Levanta, dá um passo, cambaleia e cai... 
Recompõe-se, senta novamente 
Por um instante ainda lembra do que tinha que esquecer 
Logo depois esquece do que tinha que lembrar 
Olha o copo amarelo em sua frente Onipresente... Onipotente... Bebendo tudo num só gole 
Desiste, por fim, de pensar.

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